Buscar
  • GUTO AERAPHE

AUDIÊNCIA REGIONAL Comportamentos de quem assiste a filmes e séries pelo interior do país.


Muito se fala sobre os novos hábitos quando o assunto é o consumo de filmes e séries. A todo momento somos bombardeados com informações sobre a migração de um comportamento dito analógico, para o digital. No entanto boa parte destas informações refletem o comportamento dos consumidores que moram em grandes centros populacionais. A pergunta que fica é: será que a população do interior do país tem o mesmo comportamento em relação aos conteúdos e novas tecnologias? É o que veremos.


Quando perguntados sobre onde assistem a filmes, apenas 4,7% dos entrevistados responderam que o fazem em uma sala de cinema. Um número que de fato reflete a realidade do nosso parque exibidor que tem uma quantidade insuficiente e concentrada nas capitais e cidades de grande porte. Já 46,5% (a maior parte) disseram que tem o hábito de assistir a filmes pela internet, mesmo tendo uma velocidade de média de banda entre 10 e 15 megas, considerada baixa para os padrões atuais. Esta porcentagem é seguida de perto pela TV a cabo com 41, 9% dos entrevistados. O dado interessante aqui é que apenas 7% consome filmes pela TV aberta. Questionados sobre o motivo, vários alegaram que são filmes “velhos” e repetidos.


“Não há lançamentos interessantes”

Afirma homem, 31 anos, morador do interior de Minas Gerais


É interessante observar aqui que o ato de ver filmes pela tv aberta não é necessariamente uma opção do consumidor. As pessoas não se programam para ver um filme na TV aberta. É de fato uma audiência não qualificada, que vêm do programa anterior, se um interesse de fato no produto que vem a seguir.

Apesar disso, a Globo ainda lidera a preferência das pessoas com 59%, seguida pela Rede Record com 23% e pelo SBT com 20%. A Band está em último lugar apenas 5,1% da preferência dos espectadores.


Dentre as plataformas digitais, o youtube é o que mais tem penetração dentre os consumidores do interior, sendo que 90,7% têm conhecimento do serviço. O netflix, vem em segundo lugar com 69,8%, seguido pelo Facebook com 51,8% e o IGTV, o “irmão mais novo” com 30,2%.


Sobre os outros serviços de streaming disponíveis no Brasil, ainda há uma grande dificuldade de penetração no mercado do interior do país. HBO Go e Amazon Prime lideram com 39,5% e 37,2% respectivamente. Serviços nacionais como o Looke estão bem abaixo com apenas 4,7%. Mas as plataformas que nasceram dentro das redes de tv abertas, a coisa muda de figura. Puxados pelo alto volume de chamadas e propagandas durante a programação das suas respectivas emissoras, o Globo Play atinge 46,5%. Já Play Plus da Record chega a 11,6%.


No entanto, quando o assunto é desembolsar uma graninha para consumir os serviços de streaming, o Netflix tem o maior share e lidera a preferência das assinaturas com 65,8% da preferência contra 10,5% do Globo Play e apenas 2,6% do serviço da Record.


“Temos histórias muito bonitas”

Afirma mulher, 60 anos, moradora do interior de Minas


“Diversidade de filmes e séries”

Afirma mulher, 28 anos, moradora do interior de Minas


“Com ou sem relação a região seria independente.

Mais importante, pra mim, seria uma história bem contada.”

Afirma homem, 34 anos, moradora do interior de Minas


A representatividade das regiões do interior do país é pouco retratada na televisão, uma vez que as novelas, nosso principal produto audiovisual, se passam quase que em sua totalidade, nos grandes centros urbanos (Rio ou São Paulo). Quando alguma produção “quebra” esta regra, há uma grande queixa porque a população é retratada de forma caricata e por vezes até pejorativa. Neste ponto é fundamental observar que produções locais, mesmo de baixo orçamento, exibidas pelas tvs regionais, têm um grande apelo de público. Fato comprovado quando foi perguntado na pesquisa se


“Você gostaria de ver filmes ou séries feitos na região, com atores locais, na tv aberta?“. 90,5% das pessoas responderam sim! Destes, 75% responderam que seria muito bom se as narrativas tivessem relação com fatos ou personagens de região, mas isso não seria condição fundamental. Para a maioria, o importante é que tenha a “identidade local”, mesmo que trate de temas mais universais.

59,5% dos entrevistados ainda disseram que, apesar de gostarem, trocariam algum programa da grade nacional por outro programa realizado na região. Os alvos mais frequentes são os programas de entretenimento da grade de sábado e domingo. Quando questionados sobre qual tipo de programação gostaria de ver, a maioria citou o formato de documentário e seus derivados, seguido de perto por filmes e séries.


“Roda de conversas, bate papos, documentários sobre a região.”

Afirma mulher 27 anos, morador do interior de Minas


“Entrevistas com personalidades da região, ou documentários.”

Afirma homem, 45 anos, morador do interior de Minas


“Turismo regional, cultura, lazer e esportes”

Afirma homem, 59 anos, morador do interior de Minas


“Comidas típicas, pontos turísticos, história das cidades...etc”

Afirma mulher, 34 anos, moradora do interior de Minas


Sobre o conteúdo em si, três gêneros se destacam quando o assunto são filmes e séries. A comédia ainda é a preferência nacional, com 46,3% do gosto dos consumidores, mas é seguida de perto pelo suspense e romance, ambos com 43, 9% da preferência. Apesar da grande aceitação do público, há uma enorme saturação de conteúdos de comédia. Da mesma forma os conteúdos de romance, principalmente por causa da novela. Mas a “boa surpresa” demonstrada na pesquisa é a busca por conteúdo de suspense e consequentemente os seus subgêneros com temáticas voltadas para ação, terror e ficção científica. Um mercado ainda pouco explorado pelos produtores nacionais, mas que deve ter grande atenção dos mesmo e é onde os investimentos devem seguir.


Por tudo isso, acredito que, apesar da boa aceitação do público, o mercado carece de um amadurecimento, no entanto há que se começar de algum ponto. E a hora é agora!

34 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo