Acessibilidade e empatia por meio da fotografia
- Guto Aeraphe
- há 4 dias
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Recentemente, levei para Pará de Minas durante a mostra "Feche os Olhos e Veja", uma exposição que retrata os rostos e a rotina dos trabalhadores da COOPERT (Cooperativa de Reciclagem e Trabalho de Itaúna). O projeto, realizado pela Midiace por meio da Lei Aldir Blanc estadual (Edital PNAB 03/2024), propôs um desafio raro em tempos de consumo visual desenfreado: o exercício da empatia radical.

Durante a exposição, alunos de uma escola estadual foram convidados a uma experiência imersiva. Com os olhos vendados, eles não "viram" as fotos da maneira tradicional. Eles as sentiram através da audiodescrição.
Nesse momento, a fotografia deixou de ser um objeto estático na parede para se tornar uma construção mental e emocional. Ao ouvir os detalhes das texturas dos materiais recicláveis, a expressão no rosto de cada cooperado e a força do trabalho realizado no aterro sanitário de Itaúna, os estudantes foram levados a abandonar o julgamento rápido e a "sentir com" o outro.

Democratizar o acesso à arte significa garantir que ela chegue a todos, seja pelos olhos, seja pelos ouvidos. Saio dessa etapa do projeto com a certeza de que a imagem mais poderosa é aquela que nos faz enxergar o próximo com mais respeito e menos distanciamento.


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